SEMB

O Seminário de Missões e Evangelismo Betesda existe desde muito tempo.

Mas o que é o SEMB?
É um lugar onde pessoas que servem a Deus irão desfrutar de momentos maravilhosos, desafiadores e de constantes encontros com Deus e com o "outro".

Quando ocorre o SEMB?
O SEMB ocorre geralmente na primeira semana do mês de julho de cada ano.

Como ocorre?
Na primeira semana a pessoa que irá participar do SEMB (sembista) fica interno, recebendo treinamento e participando de oficinas e palestras que ajudarão no campo missionário.
Na segunda semana, ocorre o prático, onde tudo aquilo que o sembista aprendeu será colocado em prática.

Mas por quê SEMB ®EVOLUTION?
Por quê, esta nova geração de sembistas muito mais do que pregar o evangelho, estão antenados com o que acontece no mundo, eles revolucionam não apenas pelas palavras, mas simplesmente pelo jeito de ser.
Antenados com o mundo que os cerca eles se sentem preparados para dizer um basta e juntos se engaj@rem nesta luta a favor do reino de Deus.
Venha e faça parte desta turma!

terça-feira, 27 de março de 2012

Semb é bem mais...


               " Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo." 

                 Nós queremos ser essas pessoas,que tem a sensibilidade de olhar nos olhos, de se importar pelo sofrimento do outro, de ser agente de transformação, ser o abraço de Deus e a voz de Deus para a multidão faminta. Fazendo isso sem esquecer da nossa humanidade, da nossa fragilidade.
               Semb é encontro, é compartilhar,é vida florescida,é momento de introspecção, de cuidado...É intensidade, força renovada, alegria nas danças, na música no teatro...
              Eu faço parte de tudo isso, venha fazer parte também de um projeto que encanta tantas outras vidas.

                Suy Melo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Experiência SEMB

Sempre quiz fazer missões, ver como é ser o evangelizador e não o evangelizado, conhecer a realidade das pessoas mais necessitadas, descobrir novos horizontes e falar do amor de Deus.
A verdade é que fui evangelizado pela riqueza do querer fazer, do olhar verdadeiro daqueles que agradecem nas piores das circunstâncias, aprendi a valorizar o que tenho e a saber que tem gente precisando mais de que um prato de comida, tem gente precisando de carinho e atenção, nós somos a boca de Deus, e vamos percorrer os quatro cantos da terra pregando o amor e a igualdade, porque somos feitos de gente!!

Faça parte dessa comunidade missionária: SEMB 2012 entre nessa missão.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Inscrições SEMB 2012!

Olá!
O nosso SEMB, acontecerá no período de 02 de julho a 07, onde acontecerá o teórico e o prático ocorrerá de   08 a 15 de julho, do ano corrente.

Neste ano queremos modernizar e agilizar as nossas inscrições do SEMB 2012.

Para isso deixe um comentário abaixo deste post. No cometário você deverá informar seu nome completo, idade, igreja que pertence, e email!

Agradecemos desde já sua participação acreditando que o melhor de Deus ainda está por vir!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nota de pesar pelo falecimento de Robinson e Miriam Cavalcanti

Enlutada, a Rede FALE manifesta-se ante a perda do nosso irmão Robinson Cavalcanti e de sua esposa Miriam Cavalcanti.

No dia 26 de fevereiro de 2012, um dos maiores pensadores do mundo protestante perdeu sua vida de forma trágica. Com um legado impressionante, um dos principais pensadores e articuladores da teologia de missão integral sempre foi um arauto em favor da luta e em defesa dos pobres e injustiçados no Brasil.

Como um genuíno cristão, Robinson Cavalcanti ousou, em épocas sombrias de nosso país, ser uma voz profética onde a denúncia foi a tônica de sua caminhada ante a dura realidade brasileira. Sempre se prontificou a abordar temas e posturas ignorados ou desprezados por boa parte das lideranças evangélicas. Esteve à frente de seu tempo e sofreu incompreensão, mas como alguém que acredita na utopia possível do Reino de Deus, insistiu no bom combate. Soube como poucos, compatibilizar fé, ativismo, piedade e compromisso ético.

Livros escritos por Cavalcanti – como “Cristianismo e Política” e “Igreja: Agência de Transformação Histórica” – acalentaram muitos no sonho de vivermos uma fé consciente do papel transformador do evangelho e do chamado de Deus para reconciliar toda criação. O corajoso pernambucano foi um profeta que colaborou intensamente na formação de quadros qualificados para a sociedade brasileira, seja por sua inserção eclesiástica, como também em decorrência de sua carreira acadêmica. Sua trajetória como pastor, professor e militante será sempre lembrada.

Todos nós que militamos por uma Igreja relevante para o mundo e por uma sociedade que promova a justiça, acreditamos que Robinson Cavalcanti, embora morto fisicamente, viverá não apenas nas nossas lembranças, mas em nosso compromisso com a equidade e a solidariedade. Cremos que as palavras e os atos de proclamação do Reino de Deus que foram expressas pela vida de Robinson continuarão sendo colhidas com risos de alegria por todos e todas que agora choram a sua morte.

Nossa esperança é saber que essa tragédia que hoje nos abateu não nos rouba a expectativa de que "quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: 'A morte foi destruída pela vitória'" (1Coríntios 15:54).  Essa é a certeza que tragédia nenhuma pode nos roubar.

Hoje manifestamos as nossas condolências a família e a Comunhão Anglicana. Somos gratos a Deus pela vida de Robinson Cavalcanti e de Miriam Cavalcanti. Somos gratos pelo legado e pelo exemplo que nos deixaram.

Em Cristo, nosso Redentor

Rede FALE - www.fale.org.br

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

II Festival das Juventudes‏

O Festival

O Festival
Festival das Juventudes em Fortaleza
Em 2010, a Prefeitura Municipal de Fortaleza organizou o 1° Festival Latino Americano das Juventudes na cidade (3 a 6 de junho). Foi um encontro de experiências das diversas formas de organizações das juventudes. Reunimos mais de 5 mil jovens alojados e mais de 25 mil em todas as atividades. Com esta experiência, vimos que é possível realizar um intercâmbio entre movimentos e políticas de juventude, a partir de atividades propostas e organizadas por jovens.
O diferencial deste Festival é o modelo de encontro que propomos. Conseguimos promover um espaço para as juventudes. Aquele foi um espaço que perpassou as diferentes formas de viver a juventude. Tivemos debates, palestras, apresentações artísticas espontâneas, apresentações de shows com bandas locais, nacionais e internacionais, encontros de movimentos, feira da economia solidária. Tudo feito com o pensamento de que as juventudes pensam o mundo que vivem e podem interferir na realidade que está colocada para cada um e cada uma.
O primeiro Festival se mostrou um lugar de debates sobre as políticas públicas para o nosso segmento, na cidade, no país e na América Latina. Colocamos para todos e todas as nossas lutas, a forma de cada um se organizar e como pensamos a conjunta política local e da América Latina. O tema foi A América Latina e as lutas juvenis.
É com a ideia de que as juventudes precisam de espaços como este, para se encontrar, trocar experiências e pensar em modelos de sociedade democráticas, feministas, anti-racistas, anti-homofóbicas e sustentáveis, que o Festival é construído. É por isso, e porque este foi o maior evento de debates e construções sobre as juventudes até então, que o Festival já é um evento do nosso calendário e dos nossos movimentos.

O canto de um novo mundo

II FESTIVAL banner 3 O mundo contemporâneo nos impede, muitas vezes, de refletir, de ponderar e de agir conscientemente. Ficamos concentrados em problemas individuais, como a busca por emprego e formação, e deixamos de lado o potencial que temos de transformar a ordem e a realidade cotidiana.
Nas palavras de Che Guevara, “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição biológica”. Somos questionadores e transformadores, com uma significativa diversidade, por isso os espaços de discussão e organização, como o Festival, são importantes para construirmos um horizonte comum, um sonho coletivo. Para ser coletivo, João Cabral de Melo Neto nos explica:
“Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão”.
(Tecendo a Manhã – João Cabral de Melo Neto)
Com esse pensamento começamos a pensar o tema do II Festival. Não por acaso este evento se tornou o nosso lugar de encontro. Nosso canto.     Assim surge o tema “O Canto de um novo mundo”.
A palavra “canto” significa música, expressão de vontades, anseios, ideias. Mas também pode lembrar canto significando lugar, espaço, momento. O Canto onde é possível cantar, um lugar que ao invés de ter silêncio dos dias atuais, do capital que espolia os povos e coíbe a nossa capacidade inventiva, prevalecerá o canto das juventudes.
E isso está casado com o debate de construção e consolidação dos direitos das juventudes. O Festival é para ser um ambiente de criação, reflexão, experimentação e produção coletiva. Um lugar capaz de nos mobilizar para a construção de alternativas baseadas em valores democráticos, solidários e multiplicadores de novas formas de vida econômica e social eco-sustentável.
Por isso, nos identificamos com os galos, que gritam juntos. E nós, com todas as forças que vêm das nossas utopias, cantamos. Cantamos porque o grito só não basta:
“cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota
cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta”
(Porque Cantamos – Mário Benedetti).

Por Lucas Queiroz!

sábado, 1 de outubro de 2011

É possível sermos livres e ao mesmo tempo predestinados?

Segundo o dicionário Michaelis, a definição de liberdade está ligada a um estado na qual o indivíduo está livre e isento de restrições externas ou coações físicas e morais.  A partir deste pressuposto, pode-se entender que a liberdade em uma perspectiva teológica consiste na isenção de qualquer restrição por parte de Deus ao ser humano.
Deus em nenhum momento criou os seres humanos para serem manipulados por ele mesmo, pelo contrário, quando o Criador criou a humanidade ele disse em alto e bom som: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.”(Gn 1:26), em outras palavras, “Eu estou criando o ser humano tão parecido comigo ao ponto de permitir que ele desenvolva sua inteligência, criatividade, raciocínio, independência, tendo o conhecimento que a qualquer momento se ele quiser não andar mais comigo isso pode ocorrer, eu quero que seu relacionamento comigo seja na base do amor e não se uma servidão cega e autoritária”. Cristo em um determinado momento de sua caminhada ratifica o que o Pai já o havia revelado: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” (Jo 15:15).
O relacionamento que Deus deseja ter com a humanidade não está baseado em uma determinação divina, mas simplesmente no amor, e esta é base de todo o cristianismo: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13:34-35). Ou seja, na liberdade dada por Deus não há espaço para a predestinação, o futuro não está com as cartas marcadas, Cristo nos chama para uma construção, que resultará na Nova Jerusalém, onde todos aqueles que se sintam livres pelo amor de Deus desfrutará da presença gloriosa do Pai Todo-Poderoso.
 Vale salientar que, somente a partir do momento em que Cristo declara que a profecia contida no livro de Isaías foi cumprida nEle próprio (Lc 4:1-21), e assim o ser humano de forma livre e espontânea reconheça que Jesus é o Senhor, começa assim este novo relacionamento com Deus e o ser humano remido. Sem espaço para determinações, mas sim um relacionamento sincero e embasado pelo amor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Em busca do missionário ideal - Bráulia Ribeiro


Estamos sempre orando por obreiros, a seara é grande, faltam líderes, faltam mãos para o trabalho, faltam cérebros, faltam joelhos para orar. Ontem à noite recebi um telefone de um casal daqui da base, falando desde uma cidade remota na fronteira de Acre e Peru:
“-Ah Bráulia, ore por nós, não sabemos o que fazer, presenciamos muita bandalheira, os políticos da região para se eleger levam caixas de cachaça e álcool puro para as aldeias, embebedam os índios, brigam, espancam os homens e as mulheres. Um deles fez pior, se ajuntou com duas irmãs, engravidou as duas, bate continuamente nelas, ontem derrubou uma das grávidas de um barranco cinco vezes. Todas as vezes que ela se levantava e subia ele a derrubava novamente. Nós vimos e nem assim ele parou. É estúpido e domina o pai das moças com álcool e os irmãos com violência. Temos que denunciá-lo mas ele está ameaçando nossas vidas. Nos seguiu quando viemos até a vila, mas hoje à noite temos um encontro com a Polícia Federal para falar sobre o que acontece na aldeia. ”
A voz da mulher me contando o que passava tinha um tom resoluto. Ela sabia o queria fazer e não estava com medo apesar das ameaças. Ao mesmo tempo que falava se supria de uma consciência mais intensa de que não podia deixar as coisas como estavam. A denúncia faz diferença entre a mudança daquele mundo onde dominam as armas, o pecado e a falta de lei, para o reino de Deus que eles levavam que significava justiça, respeito e vida nova para os índios e às comunidades brasileiras ao redor.
Este casal tem menos de 30 anos, estão aqui há uns cinco anos e na tribo há uns três. Eles tem um filhinho de três anos e lutam com muita dificuldade financeira. Pensei que ainda que tivéssemos altos salários missionários para pagar, (mas não temos, a JOCUM é uma missão de voluntários) nada pagaria a insegurança e o medo que eles estavam vivendo agora e com o qual teriam que conviver sempre depois da denúncia.
Lembrei-me de como esta moça chegou na ETED. Não era crente direito, nunca tinha vivido uma vida limpa na vida, nem na infância. Vestia-se no dia a dia como quem sai para fazer um programa na noite, e se movia com um gingado de dançarina de cabaré. Várias vezes ouvi os líderes da ETED confabularem sobre ela desesperados pensando se haveria cura para alguém assim…
Hoje ela e o marido são missionários que qualquer missão, ou melhor que qualquer organização governamental gostaria de ter reforçando suas trincheiras. Abnegados dedicados, amorosos, íntegros, e mais do que isto, a mulher tem garra de guerrilheira.
Houve uma época na nossa base, que já passou, graças a Deus, que nos cansamos de jovens. Nos cansamos da ETED e dos “problemas” que chegavam a cada nova leva de estudantes. Começamos a pensar em fazer um escrutínio apurado de todos os formulários, na tentativa de evitar que viessem jovens problemáticos que tem o potencial de consumir toda nossa energia e depois produzir muito pouco ou quase nada para missões… Queríamos maturidade e não juventude. Me pergunte se deu certo, ou se continuamos assim por muito tempo, que vou te responder que pela misericórdia de Deus não deu certo, e nem continuamos pensando assim. Redescobrimos nosso DNA. E nosso DNA tem a ver com transferência de destino a quem não tem. Como podemos querer maturidade se somos chamados para abrir espaço para os que não-são, para que eles possam pela graça de Deus tomar posse de destinos fantásticos que Deus tem para eles e que de outro modo teriam ficado enterrados…
Me apaixonei de novo pela ETED. O Reinaldo começou dirigindo a primeira desta nossa nova fase e eu sigo desde então, já estou na terceira. A palavra que o Reinaldo recebeu logo quando abraçamos uma idéia de uma proposta radicalmente nova para a ETED, foi: “aquele que vier a mim não lançarei fora…” E assim foi, aceitamos todos. Qualquer um. Gente de rua, gente dos becos, jovens das igrejas e de fora delas. Continuamos assim desde então. Agora que eu lidero na verdade não faço nada, só acompanho a equipe que carrega a ETED, eles também gente nova, sem experiência nenhuma a não ser a sua própria vivência e transformação. Meu co-líder desta vez é o Raul. Ele tem 23 anos e está na JOCUM há dois anos. Tivemos um ano cansativo com muitos eventos e viagens, e já tínhamos dois cursos acontencendo neste segundo semestre, eu estava jogando a toalha e pedindo pro mundo acabar em barranco, quando o Raul chegou pra nós:
_ Olha Reinaldo e Braulia Deus está me chamando para a próxima ETED…
_ Mas Raul, não temos obreiros, todos estão envolvidos em cursos, ou em ministérios fora, (temos equipes na Guayna Inglesa, Barbados, Peru, Equador, e em várias tribos) será que vai ter alguém pra te ajudar?
_ Ah, Deus vai mandar… Tem o Pimenta… (Pimenta é um recém-graduado da última ETED, anda sempre de bermudas e meião, um de uma cor outro de outra, de toca colorida na cabeça e seu maior prazer é escrever cartas evangelizando a galera….)
_Ah, o Pimenta… Tá bom então vamos ver Raul.
Na próxima reunião o Raul veio de cabelo azul.
_ Pintou de azul agora Raul? Ficou bonito…
_ É, quero que a galera se sinta à vontade quando chegar…
Oramos juntos, não podíamos divulgar mas Deus foi mandando alunos e obreiros. Alguns vieram de perto outros de longe. Nos reunimos para ver se aceitávamos os alunos que escreviam. Alguns nem escreveram só vieram… Raul disse: _Traveco acho que não encaro não, muito difícil… Falou isto, porque eu contei um sonho estranho que tive, em que eu me via como um travesti numa favela e sofria uma dor muito profunda porque ninguém me amava… Ai que bom, ainda não estamos prontos pra travestis, respirei aliviada. No outro dia esbarrei com uma obreira e um garotinho em frente da minha casa.
_ Oi Alessandra, que legal seu filho veio te visitar?
_ Né meu filho não, é a nova aluna da ETED.
Fiquei sem graça. Era uma moça. Ela tinha 22 anos e desde os cinco anos se vestia e se comportava como homem. Veio do garimpo para cá e não conhecia Jesus nem a JOCUM. Mas seu pai conhecia e sabia que ela precisava de ajuda. Me reuni com o Pimenta e o Raul. Oramos para buscar a Deus. Tudo o que eu via eram os dois olhos adolescentes da garota. Raul e Pimenta também se comoviam com a compaixão de Deus…

_ Eu também não prestava Bráulia, disse o Raul. Quando eu cheguei aqui na base eu só pensava em me matar. Deus me acolheu e me deu um destino.
_ Eu também não sabia quem eu era disse o Pimenta, hoje eu escrevo cartas… Ontem escrevi dez, minha mão ficou doendo…
Olho pro grupo de obreiros e fico animada. Não vejo ninguém especial, nenhum super-estrela, todos jovens. Além do Pimenta e do Raul tem a Ana Rita, baiana que acabou de chegar de alguns meses na Guyana, carinhosa e responsável, tem a Kelly, a Isabel se recuperando de sérios problemas mentais, a Selça e Alessandra ambas novas convertidas, saídas do sub-mundo das ruas. Ninguém que por nossos padrões religiosos seria capaz de arcar com a liderança de uma escola de missões, porque afinal em missões temos que ter a nata espiritual de nossas igrejas… È verdade, a nata, mas nossos alunos também não representam esta nata. São gente comum, gente como nós, especiais sem ser, trazidos aqui pelo Senhor, seja do Garimpo ou da Assembléia, Deus guiou cada um deles a nossa máquina de redimir destinos chamada ETED…